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A IMPORTÂNCIA DO CERRADO EM NOSSAS VIDAS




Urbanização contamina e destrói o ambiente do Cerrado, já devastado pela exploração destrutiva.

 O bioma Cerrado e a importância do monitoramento biológico das águas

O Cerrado ocupa em torno de 24% do território nacional e contribui de forma significativa para a produção hídrica superficial de oito das doze grandes bacias hidrográficas brasileiras. Dentre estas oito bacias hidrográficas, três possuem estreita dependência das águas fornecidas pelo Cerrado, devido à elevada quantidade de nascentes. Estas correm para diferentes porções do Brasil, correspondendo a 78% do montante da bacia dos rios Araguaia/Tocantins; 70% da bacia do rio São Francisco e 48% da bacia do rio Paraná.

O bioma Cerrado teve uma ocupação desordenada e intensiva; a partir dos anos 1970 vem sofrendo grande pressão para exploração do solo, com a conversão de sua vegetação natural em pastagens e cultivos agrícolas (Felfili; Silva Jr., 2005). Nos últimos anos, a cana-de-açúcar vem concorrendo com as atividades agrícolas tradicionalmente desenvolvidas no local e constitui uma nova preocupação no manejo sustentável do bioma.

Cerca de 80% de sua área natural foi convertida para ocupação urbana ou de atividades agrícolas, implicando em degradação de mananciais (Resende, 2002). O desmatamento da vegetação nativa atinge, na maioria das vezes, as matas ripárias que, neste bioma, ocupam áreas com solo de boa qualidade (Ribeiro et al., 2001). Esta vegetação possui diversas contribuições na manutenção das condições ecológicas dos ambientes aquáticos, tais como a filtragem dos impactos do ambiente terrestre sobre os sistemas aquáticos. 

Ações políticas e institucionais foram implantadas visando a manutenção dos recursos naturais, procurando minimizar efeitos advindos com o aumento populacional, como o caso da criação de Unidades de Conservação (Lei Federal n0 9985/2000). Nestes locais, não somente a vegetação é protegida, mas também todos os componentes ambientais ali presentes, abióticos e biológicos; enquadrando-se neste caso, as nascentes com suas águas límpidas e transparentes. 

Um dos componentes ambientais mais afetados pela atividade humana é a qualidade e vida útil dos corpos d’água. Para a conservação da integridade desses recursos, diversos fatores são importantes, sendo que alguns interferem com maior severidade na manutenção da saúde desses recursos, principalmente quando o uso múltiplo da água é considerado.

O Cerrado é citado na literatura científica como um dos biomas de maior riqueza taxonômica do planeta e grande parte desta riqueza ainda está por ser conhecida (Oliveira-Filho; Medeiros, 2008), incluindo os invertebrados de água doce (Brasil, 2006); este cenário ilustra a importância da conservação e preservação das condições básicas da qualidade da água no bioma Cerrado. 

Há muitos invertebrados macroscópicos que são usados para diagnosticar a saúde do rio por ocuparem os mais diversos hábitats, como o sedimento dos cursos d’água (denominados bentônicos); associados a macrófitas aquáticas; troncos submersos; plantas que acumulam água, como é o caso de bromélias, e outros ambientes.

O amplo uso dos macroinvertebrados bentônicos na avaliação da qualidade biológica da água baseia-se na facilidade de amostragem e identificação, ao fato de terem reduzido movimento de dispersão e apresentarem uma grande diversidade de hábito alimentar, representando vários níveis tróficos (Fontoura, 1985). Os insetos constituem a maior parte da comunidade nos sistemas aquáticos (Ribeiro; Uieda, 2005) e são considerados verdadeiros aquáticos quando passam toda sua vida embaixo da água.

Apesar dos esforços de alguns pesquisadores em conduzir estudos sobre a biologia de insetos aquáticos e seu potencial como indicadores ambientais no Cerrado (Angelini et al., 2008 e Fernandes, 2007 dentre outros), este tipo de pesquisa ainda é incipiente no bioma. Os estados que apresentam informações a respeito da entomofauna aquática são Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Distrito Federal, com menor número de publicações provenientes deste dois últimos.

O conhecimento sobre a biologia e as interações ecológicas destes grupos confere suporte à implantação de programas de monitoramento biológico da qualidade da água, com possibilidade de capacitação da população. Esta participação da comunidade e a divulgação da importância do cuidado do recurso aquático por meio de atividades de educação ambiental visando o manejo do recurso hídrico são modos simples, construtivos e eficientes utilizados em todo o mundo e cuja implantação no bioma Cerrado está em processo.

 Kathia C. Sonoda e Eduardo C. Oliveira-Filho

Pesquisadores da Embrapa Cerrados (Planaltina/DF)
Contato: kathia.sonoda@cpac.embrapa.br e cyrino@cpac.embrapa.br 

Referências bibliográficas 

ANGELINI, R.; BINI, L. M.; STARLING, F. L. R. M. Efeitos de diferentes intervenções no processo de eutrofização do Lago Paranoá (Brasília – DF). Oecologia Brasiliensis, v. 12, n. 3, p. 564-571, 2008.

Brasil. ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. Núcleo dos Biomas Cerrado e Pantanal. Programa Nacional de Conservação e uso sustentável do bioma cerrado. Brasília, DF, 2006. 67 p.

felfili, j.m.; silva jr., m.c. diversidade alfa e beta no cerrado sensu stricto, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Bahia. Capítulo 7. In: Scariot, a.; Sousa-silva, j.c.; felfili, j.m. (Orgs.). Cerrado: ecologia, biodiversidade e conservação. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. 2005. pp. 143-154.

fernandes, a.c.m. macroinvertebrados bentônicos como indicadores biológicos de qualidade da água: proposta para elaboração de um índice de integridade biológica. Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Universidade de Brasília, DF. Tese de Doutorado. 2007. 226p.

FONTOURA, A. P. Manual de vigilância da qualidade das águas superficiais. Avaliação biológica da qualidade da água. Universidade do Porto, Portugal. 1985. 38 p.

Lei Federal no 9985/2000. Casa civil. Disponível em: < www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9985.htm>

oliveira-filho, e.c.; medeiros, f.n.s. ocupação humana e preservação do ambiente: um paradoxo para o desenvolvimento sustentável. Capítulo 2. Pp. 33-61. In: Parron, l.m.; Aguiar, l.m.s.; duboc, e.; oliveira-filho, e.c.; camargo, a.j.a.; aquino, f.g. (Eds.). Cerrado: desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Planaltina, DF. Embrapa Cerrados. 2008. 464p.

Resende, a. v. agricultura e qualidade da água: contaminação da água por nitrato. Planaltina, DF: Embrapa – CPAC. 2002. 29p. (Embrapa – CPAC. Documentos). 

RIBEIRO. L. O.; UIEDA, V. S., 2005. Estrutura da comunidade de macroinvertebrado bentônico de um riacho de serra em Itatinga, São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 22(3): 613-618.

Ribeiro, J. F.; Fonseca, C. E. L.; Sousa-Silva, J. C. (Eds.) Cerrado: caracterização e recuperação de matas de galeria. EMBRAPA Cerrados, Planaltina, DF. 2001. 899p.

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/site/content/artigos/artigos.php?id=801

 

PAULO PAIM FALA DA FRENTE AMPLA PELO BRASIL 

Há uma proposta que vem sendo discutida nos Estados há mais de dois anos. A Frente Ampla pelo Brasil é um espaço de diálogo e de compreensão dos problemas nacionais, regionais e municipais. Ela busca a construção de propostas viáveis para mudanças estruturais e de transformação do país em uma sólida e verdadeira nação.

O que a unifica são as causas justas e o respeito às diferenças culturais, sociais, econômicas e políticas. Há nela uma infinidade de pensamentos e pluralidade.

Não podemos nos acovardar e ficar condenados à desesperança e aos fantasmas ideológicos de grupos que só buscam o poder pelo poder e de uma elite minoritária que não possui amor ao próximo e ao nosso país.

A Frente Ampla pelo Brasil busca a perfeição dos sonhos, mesmo que utópicos, e a valorização da nossa gente. Queremos que a grandeza dos brasileiros seja o principal alicerce da nossa desejada nação.

A corrupção está institucionalizada e a impunidade é decisiva para que ela aumente. A punição deve ser severa e a lei, valer para todos. Os governos transformam o Estado em balcão de negócios. E o que tivemos até hoje foram governos sem princípios e sem olhar humano.

Há outros pontos que estão sendo discutidos: saúde, educação, direitos trabalhistas, moradia, segurança, ciência e tecnologia, emprego e renda, economia, direitos humanos.

O Brasil não possui uma cultura de governabilidade. Cada vez que muda o governo, mudam-se as políticas econômicas e sociais de acordo com o pensamento do grupo que assume. Não há máquina administrativa que aguente e nem programa de governo que se sustente.

Já o mercado interno e a indústria nacional devem ser prioridades. Para termos uma ideia, o mercado interno dos Estados Unidos representa 22%; o da China 20%; e o do Brasil 4%.

O brasileiro, do campo e da cidade, os trabalhadores e os empresários, cada vez mais exigem cidadania tributária, cidadania fiscal, cidadania econômica, cidadania social, cidadania jurídica.

* Senador (PT-RS)


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