Texto tem a interferência do ministro da Justiça Sérgio Moro, que se tornou o carrasco do ex-presidente, com decisões cujo fulcro foi, tão somente, para alijá-lo da disputa presidencial. O STF derrubou possibilidade de prisão após a condenação em segunda instância.
 Para ser votado, alguns senadores governistas e o ministro Sérgio Moro fazem lobby permanente no Senado, enquanto, paralelamente, a Câmara dos Deputados pauta o debate da mesma matéria. Na verdade é uma quebra de braço do Congresso com o Supremo Tribunal Federal (STF) que no último dia 7 de novembro decidiu, por 6 votos a 5, impedir a possibilidade de condenados em segunda instância serem presos, modificando entendimento existente desde 2016, justamente para atingir o ex-presidente Lula da Silva e deixa-lo fora das eleições presidenciais em 2018.
 A maioria dos ministros entendeu que a prisão de uma pessoa condenada só pode ser decretada após o trânsito em julgado, isto é, quando se esgotarem as possibilidades de recurso a todas as instâncias da Justiça.
Contra Lula
 De acordo com  o artigo 5º da Constituição  "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Esse artigo integra o trecho da Constituição sobre os direitos e garantias fundamentais o que está sendo revisto com a finalidade única de barrar uma possível candidatura de Lula à presidência em 2022. 
 No Congresso Nacional, contudo, há vários projetos que visam permitir a prisão após segunda instância. Alguns parlamentares defendem a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para permitir a prisão. Outros, porém, defendem a votação de um projeto de lei que modifique o Código de Processo Penal (CPP).
 O que a CCJ deve votar
 A proposta a ser discutida pela Comissão de Constituição e Justiça nesta quarta-feira prevê a possibilidade de prisão após condenação criminal determinada por órgão colegiado.
Como o Código de Processo Penal prevê a necessidade de sentença condenatória transitada em julgado para a prisão, o projeto na CCJ define que o tribunal de segunda instância poderá determinar a execução provisória da pena, mesmo que ainda exista a possibilidade de apresentação de recursos.
Acordo
Segundo a presidente da CCJ, Simone Tebet (MDB-MS), há um acordo entre os senadores favoráveis à prisão após segunda instância para votar o texto nesta quarta-feira. Pelo acordo, ainda segundo a senadora, será pautado o projeto apresentado por Lasier Martins (Podemos-RS), que altera o CPP. A relatora será a senadora Juíza Selma (Podemos-MT). Conforme o colunista do G1 Matheus Leitão, a parlamentar vai encaminha parte do texto apresentado pelo ministro Moro, a pedido deste. Aliás, parlamentares favoráveis ao tema se reuniram com o ministro da Justiça, nesta semana, para traçar o caminho a ser seguido. 
 Tramitação
Se o projeto for aprovado pela CCJ nesta quarta-feira, seguirá para votação no plenário do Senado. De acordo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP) a proposta será pautada. Ele não anunciou, contudo, a data da votação. Alguns parlamentares, porém, já têm se manifestado contrariamente ao texto, defendendo "cuidado" na análise sobre o tema.
"Acho que é melhor ter mais cuidado, ler direito essa proposta, porque acho que há um espírito de todo mundo de tentar encontrar um caminho para que, de alguma forma, haja autorização para se discutir esse tema nos tribunais, enfim, mas não desfazendo uma decisão que foi tomada pelo Supremo. Isso é uma coisa muito grave", afirmou Humberto Costa (PT-PE).