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Meio Ambiente

Os meses cruciais para o planeta e para todos nós




Porque os próximos 18 meses são cruciais para o planeta e para todos nós? Emissões de CO2 batem no teto.

As emissões globais de dióxido de carbono deve alcançar um teto em 2020. Só isso vai limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius, de acordo com o IPCC (Clint Spencer/Getty Images)
Lembra das manchetes que falavam que tínhamos apenas 12 anos para salvar o planeta?
Por agora parece existir um consenso de que os próximos 18 meses são críticos na luta contra a crise climática e outros desafios ambientais. Para evitar que o aumento da temperatura do planeta supere a marca de 1,5 grau centígrado acima da que havia antes da Era Industrial será necessário reduzir as emissões globais de dióxido de carbono em ao menos 45% até 2030, segundo afirmou o Painel Intergovernamental da Crise Climática (IPCC, por sua sigla em inglês) em seu informe de outubro de 2018.
Entretanto, os passos decisivos nesse sentido devem ser dados até o final do próximo anos, de acordo com os observadores.
A ideia de que 2020 é um ano decisivo já havia sido mencionada em 2017 por um dos principais cientistas climáticos a nível mundial: “a matemática do clima é brutalmente clara”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, fundador e agora diretor emérito do Instituto Potsdam do Clima, na Alemanha. “O mundo não pode ser salvo com uma mudança de poucos anos, mas poderia ser condenado definitivamente em caso de negligência em 2020”, completou o cientista germânico.
A sensação de que o fim de 2020 é uma data limite em termos de crise climática é cada vez mais clara. “Creio firmemente que os próximos 18 meses decidirão sobre nossa habilidade para manter a crise climática em níveis que permitam a sobrevivência, e assegurem a restauração do equilíbrio necessário na natureza para a sobrevivência”, comentou recentemente o Príncipe Charles, em uma reunião recente com chanceleres dos países da Comunidade Britânica.
Por que os próximos 18 meses são tão cruciais?
O Príncipe Charles se referia a uma série de reuniões que serão realizadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), entre setembro deste ano e dezembro de 2020.No Acordo de Paris sobre a crise climática, em 2015, os países aderentes se comprometeram a melhorar seus níveis de emissões de gases do efeito estufa justamente até o fim de 2020.
Um ponto importante do informe do IPCC de outubro de 2018 dizia que as emissões globais de dióxido de carbono devem chegar a um limite máximo e começar a cair antes do próximo ano. Somente assim será possível manter o aumento de temperatura abaixo de 1,5 grau centígrado com relação à Era Industrial, o limite necessário para evitar os efeitos mais catastróficos da crise climática.
Contudo, os compromissos atuais dos governos, longe de garantir esse limite seguro, tendem a levar a um aumento de 3 graus centígrados até o fim deste século.
Os planos dos governos costumam ser estipulados em marcos temporais de 5 ou 10 anos. Por isso, se a missão é reduzir as emissões globais em 45% até 2030 será necessário um compromisso firme sobre a mesa até o final de 2020.

Quais serão os próximos passos?
O primeiro encontro crucial é a cúpula climática convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que terá lugar em Nova York, no dia 23 de setembro. Guterres deixou claro que os países só devem ir à cúpula se estão dispostos a apresentar seus planos para reduzir suas emissões de forma significativa. O encontro será seguido pela nova conferência das partes pertencentes ao acordo marco sobre a crise climática, a COP25, que será em dezembro, em Santiago do Chile, onde o objetivo mais importante será o de manter o processo de reduções em movimento.
Mais crucial será, provavelmente, a COP26, a qual, espera-se, será sediada no Reino Unidos, no final de 2020 – o anfitrião será oficializado na reunião deste ano, no Chile. O governo britânico acredita que pode usar a oportunidade da COP26, em um mundo pós-Brexit, para mostrar que o Reino Unido pode gerar vontade política para uma ação comum, assim como a França usou seu músculo diplomático para fazer realidade o Acordo de Paris.
“Se nossa candidatura para sede da COP26 tiver sucesso, poderemos atuar para construir, com base no Acordo de Paris, uma reflexão sobre a evidência científica necessária para atuar mais, e mais rápido”, opinou o ministro do Meio Ambiente britânico, Michael Gove.
“Juntos, devemos dar todos os passos necessários para restringir o aumento da temperatura global a níveis abaixo de 1,5%u203”, completou.
Há razões para ser otimista?
A causa pode ter sido a evidência das ondas de calor, a influência das greves escolares convocadas pela ativista sueca Greta Thunberg e movimento Extinction Rebellion, mas é fato que há um aumento do interesse do público pela crise climática e a necessidade de soluções a respeito. As pessoas estão exigindo ações concretas, e políticos de muitos países estão conscientes disso.
Projetos como o “Green New Deal” nos Estados Unidos, a proposta de um pacote de estímulos econômicos para abordar a crise climática e a desigualdade, que talvez parecessem inviáveis há alguns anos, estão ganhando apoio. E países como o Reino Unido passaram a legislar em busca de planos para assegurar emissões zero em 2050.
“Nosso grupo de pequenos estados insulares compartilha o sentido profundo de urgência afirmado pelo Príncipe Charles”, declarou Janine Felson, representante de Belize e principal estrategista da Aliança de Pequenos Estados Insulares da ONU. Logo, ela seguiu dizendo que “estamos sendo testemunhas de uma convergência de vários fatores que exigem uma liderança decisiva: a mobilização do público, a intensificação dos impactos climáticos e as graves advertências científicas”. “Sem dúvida, 2020 é o prazo para que essa liderança se manifeste”, concluiu Felson.
Há razões para ter medo?
O ano de 2020 também poderia marcar o momento em que os Estados Unidos finalmente se retirarão do Acordo de Paris. Se Donald Trump não for reeleito para um segundo mandato e um candidato do Partido Democrata vencer as eleições, isso poderia mudar. De qualquer forma, ambas as possibilidades poderiam ter enormes consequências na luta contra a crise climática.
Atualmente, vários países parecem estar interessados em assegurar que o progresso nessa luta seja lento. Em dezembro do ano passado, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, o Kuwait e a Rússia bloquearam a discussão em um encontro da ONU sobre o informe do IPCC sobre o limite de 1,5 grau.

Há poucas semanas, o informe foi novamente excluído das negociações da ONU, devido às objeções da Arábia Saudita, apesar da frustração das nações em desenvolvimento e dos estados insulares.
“É bom que a COP26 tenha lugar no Reino Unido, porque há mais consciência climática aqui que em outros países, mas esse movimento apenas começou a pensar em como exercer a pressão suficiente”, considera Michael Jacobs, cientista da Universidade de Sheffield e assessor para temas climáticos do ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
“Se não usamos esta oportunidade para acelerar a ambição, será impossível assegurar um limite de 1,5 ou 2%u203. Atualmente, mesmo entre os países líderes, não existe nada que se assemelhe ao compromisso necessário. Por isso o secretário-geral da ONU convocou a cúpula de setembro”, acrescentou o cientista.
No Reino Unido, o Comitê sobre a Crise Climática advertiu recentemente que o país segue um caminho no qual terminaria deixando de cumprir a meta de emissões zero até 2050, apesar de ter aprovado uma lei sobre isso recentemente.
“O governo britânico deve mostrar que leva a sério as suas obrigações legais, sua credibilidade está em jogo”, afirmou o chefe do Comitê, Chris Stark, que completou dizendo que “há uma janela de oportunidade para fazer algo nos próximos 12 ou 18 meses, que se não for aproveitada poderia levar o governo britânico a passar vergonha na COP26”.
Não se trata só da crise climática
Também haverá, nos próximos meses, encontros que decidirão como serão as políticas de proteção das espécies e dos oceanos nas próximas décadas. Em maio, causou grande impacto o informe da ONU segundo o qual um milhão de espécies estão ameaçadas. O documento foi elaborado pela Plataforma Intergovernamental Científico-Normativa sobre Diversidade Biológica e Serviços dos Ecossistemas (IPBES, por sua sigla em inglês).
Para reagir a esta crise global de biodiversidade, os governos de todo o mundo se reunirão na China em 2020, visando buscar acordos em medidas de proteção. A Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU é o organismo encarregado de elaborar um plano efetivo de proteção para 2030. O encontro do próximo ano poderia levar a um equivalente ao Acordo de Paris para a biodiversidade.
Esse acordo, se alcançado, deve ter provável ênfase na questão da agricultura e da pesca sustentáveis, a proteção urgente das espécies e a redução do desflorestamento.

No próximo ano, também haverá uma reunião da Convenção da ONU sobre as leis do mar, com o objetivo de negociar um tratado global sobre os oceanos. O tratado poderia ter um impacto real, de acordo com Michael Gove.
“O Reino Unido tem sido líder em assegurar a proteção de ao menos 30% das nossas águas até 2030. Pediremos a outras nações que se comprometam a metas similares”, afirmou o atual ministro britânico.  Se houver compromissos significativos em 2020, o mundo terá uma possibilidade de preservar nosso meio natural.
Mas os desafios são enormes e as ações políticas dispersas.  Conseguir acordos será difícil.
Matt McGrath é jornalista e correspondente da BBC News, especializado em temas sobre Meio Ambiente.
*Publicado originalmente em bbc.com | Tradução de Victor Farinelli


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