Carregando...

ASSUNTOS GERAIS

'RASGA CORAÇÃO", AGORA, CHEGA AO CINEMA




A peça de Vianninha, adaptada por Jorge Furtado, fala do conflito geracional por causa da política

A peça Rasga Coração,  de Oduvaldo Vianna Filho, encenada pela primeira vez em 1979, depois de cinco anos censurada, chega pela primeira vez ao cinema com a direção de Jorge Furtado. A adaptação já entrou em cartaz e faz uma atualização de 40 anos no tempo em questões geracionais que rasgam os corações de um pai e um filho por causa da política. O enredo de Vianninha mantém interseção com o clássico Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri. 

Na peça, Oduvaldo Vianna chamava a atenção para o fato de que nem tudo o que se apresenta como novo é relamente novo. Nada mais atual do que o novo/velho governo que vai tomar posse em 1o. de janeiro,eleito como se fosse a novidade capaz de mudar as velhas estruturas da política brasileira. Porém, já na sua montagem, o governo Bolsonaro vai se revelando que será muito mais do mesmo, e com mais atraso e mais reacionarismo.  

No roteiro do filme escrito por Jorge Furtado, Ana Luiz Avededo e Vicente  Moreno, o dilema familiar sobre a política, na atualidade, não faz refência direta ao processo eleitoral que elegeu Bolsonaro. Jorge Furtado, em roteiro concebido junto com Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno, faz ecoar o dilema político-familiar na atualidade, ainda que sem referências diretas ao contexto vigente. Custódio agora vive entre os anos 1970, quando militava com colegas e levava pauladas da polícia, e os dias de hoje, consumidos nos relatórios do serviço público e no fechamento das contas domésticas. João Pedro Zappa e Marco Ricca vivem Custódio em cada etapa, com igual propriedade.

Luca agora é um jovem hipercontemporâneo, vegano, que veste saias, pinta as unhas e se importa mais com a saúde do planeta do que com as pautas sociais defendidas pelo pai. Se na peça Luca era expulso do colégio por recusar-se a cortar o cabelo, no filme ele participa da ocupação de uma escola cuja direção quer impor a discriminação de gêneros a partir do vestuário dos alunos. A História se repete e os problemas, no fundo, são sempre os mesmos – é o que parece dizer Rasga Coração, a peça e o filme. O novo de ontem pode sempre ser encarado como o velho de hoje, uma vez que as agendas políticas não são estáticas, e várias delas correm em paralelo. O choque entre Custódio e Luca se dá entre dois conceitos de revolução – um coletivo, de inspiração marxista e que no fundo aceita o sistema para lutar de dentro; e outro voltado para o comportamento individual e a micropolítica. A dificuldade de convivência e de entendimento entre esses dois pólos é o que faz rasgar o coração.

Rasga Coração, o filme,  segue estrutura similar à da peça, promovendo paralelos e espelhamentos constantes entre passado e presente, como a reforçar o discurso central da "repetição em outros termos". 

Fonte; Carta Maior


Histórico

Fones:(61) 3226.0732
Cel: (61) 99277.3844 - (82) 99904.2191
SCS - Quadra 02 - Bloco C - No. 41 - Conjunto 304 CEP 700315-000 - Brasília-DF
agenciasocial@agenciasocial.org.br
© 2016 Agência Social Todos os direitos reservados